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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Post de Colunista- Jefferson Coimbra

Uma Realidade do Passado, Presente...e do Futuro?

O branco no comando

Desde o início da colonização portuguesa no Brasil, os negros encontravam uma estrutura produtiva montada, onde eram dominados e usados como máquinas na fabricação de capital. A dominação nesse período se dava a partir da força, da coerção física na escravidão, na qual os negros eram submetidos a castigos quando não correspondiam aos interesses dos brancos. Assim, neste período, ficava estabelecido o modelo de relacionamento social que marcaria a história de negros e brancos no Brasil. Mas que modelo é esse? É um modelo fundamentado na relação econômica, onde o negro é explorado e o branco está no comando.
A partir do século XIX a prática da escravidão começa a ser contestada com mais intensidade, não por ser um ato desumano, mas sim por ser uma vergonha para qualquer sociedade civilizada da época. Além disso, o trabalho escravo, mesmo sendo escravo, era ainda muito oneroso aos brancos, ou melhor, a elite, pois exigia um gasto muito grande com a manutenção da força produtiva e com a logística de controle das revoltas dos negros. Existia uma outra forma de exploração econômica muito mais rentável e que já estava sendo aplicada na Europa há algum tempo, a relação capitalista de trabalho. Nesta relação, o burguês, possuía um vínculo com o trabalhador que se resumia apenas ao pagamento de uma quantia irrisória pela sua força de trabalho. O burguês deixava o trabalhador livre para buscar seu sustento e organizar sua vida.
Mas como aplicar este modelo ao Brasil? O que ocorreria se a liberdade fosse concedida aos negros? De uma coisa a elite branca tinha certeza, de que deveria se precaver para manter seu poder, e mais, sabiam que a liberdade dos negros geraria uma intensa busca, por parte dos dominados, por um pedaço de terra, e isso poderia suscitar, no futuro, condições de igualdade entre os grupos envolvidos no jogo, pois terra por aqui sempre representou poder. E a liberdade dos negros veio, e junto com ela a necessidade de aplicar no país, as tais relações capitalistas de trabalho, e elas foram empregadas, mas com os brancos, leia-se elite, no comando.
O vácuo deixado pelos negros foi ocupado pelos imigrantes europeus, que eram brancos, mas foram obrigados a se submeterem a nossa elite branca. E os negros que partiram para as relações capitalistas foram empurrados para os piores tipos de trabalhos existentes, criando ali o embrião das relações de trabalho capitalistas entre negros e brancos no Brasil. Mas para maquiar essa dominação, a elite tratou de desenvolver dispositivos de todo tipo, que amenizavam a segregação social e ainda justificavam a sua posição de vencedora no jogo do poder.
Entre estes dispositivos está à ideologia da democracia racial, mecanismo coercivo que gerava a falsa idéia de que no Brasil os segmentos étnicos conviviam em perfeita harmonia. Mas na verdade, este sistema de idéias criava uma espécie de estamento étnico-social, que passou a funcionar de duas maneiras, primeiro tirava dos negros a ânsia de conquistarem visibilidade social, pois para o sistema eles já estavam inclusos, bastava aos excluídos que se incluíssem ao modelo capitalista. E esta idéia criava no inconsciente coletivo dos negros a rejeição por suas origens, já que elas representavam humilhação. Assim quanto mais próximos dos brancos, nas roupas ou mesmo na aparência seria melhor.
Isto deu a elite branca o comando da sociedade brasileira, que era justificado não só pelo poder econômico, mas também por ser o modelo que todos aqueles que desejassem alcançar o topo da pirâmide social, deveriam seguir.

Da invisibilidade social a luta por inclusão

Dispositivos como este citado acima, desenvolveram uma hierarquização social que empurrou os negros para a marginalização histórica. Com o decorrer do século XX esta marginalização se tornou uma verdadeira invisibilidade social, mesmo com os negros se fazendo notar.
O movimento negro no século XX ganhou força com o surgimento de várias células de resistência, como a imprensa negra paulista e a Frente Negra Brasileira, que veio a se tornar um partido político. Com o advento do Estado Novo este partido foi dissolvido, e em seguida, no período da redemocratização foi considerado ilegal. Assim sem opção política para buscarem visibilidade social e cidadania, os negros são obrigados a retornarem as suas formas tradicionais de resistência cultural. A única exceção neste momento é o Teatro Experimental do Negro, fundado no Rio de janeiro e que tinha como objetivo conscientizar os negros sobre suas origens e de seu papel na sociedade brasileira. Mas a invisibilidade política e social continuava, e os negros, só eram lembrados como referência cultural ou mesmo como um problema para o desenvolvimento do país.
Entre as décadas de 1950 e 1970 surgem dois movimentos negros, a Associação Cultural do Negro e o Instituto de Pesquisa e Cultura Negra, que buscavam rearticular e criar bases ideológicas fortes para o movimento negro brasileiro. Mas era um período de ditadura militar e os militares haviam transformado a democracia racial brasileira em uma de suas bandeiras, com isso, qualquer negro que se levantasse contra essa política era tratado como traidor da pátria. Mais uma vez o movimento negro havia perdido seu poder de contestação, foi cerceado do seu direito de reinvidicação por participação política e de sua busca por uma maior visibilidade social. O movimento hiberna e ressurge forte na segunda metade da década de 1980, o fim da ditadura deu mais liberdade política e civil às pessoas, cientes de suas necessidades, os negros iniciam uma nova etapa em sua luta, a militância.
A partir da elaboração e da promulgação da Constituição federal de 1988, o movimento negro brasileiro sai da passividade e começa a militar por seus direitos. A Constituição ajuda, pois possui dispositivos legais que garantem uma série de direitos aos negros, mas ainda era necessário buscar mais. Neste contexto a principal vitória do movimento foi a conscientização dos afrodescentes, que não se entendiam negros, de sua negritude. Mulatos e pardos acabaram tornando-se negros e isto fez com que o movimento ganhasse força. O grupo passou a exercer pressão não só social mais também política, pois o movimento descobriu que possuía, e em grande número, a moeda de barganha política, o voto.
Outras conquistas vieram como o sistema de cotas, que é visto por muitos de forma ambígua, pois ao mesmo tempo em que da aos negros condições de alcançarem posições que nunca imaginavam, sustenta a idéia de que as conquistas deste grupo só acontecem quando os brancos os auxiliam. Mas sabemos que por de trás de todas estas fórmulas excludentes se escondem as principais razões para se manter este modelo, que são os interesses econômicos e políticos da elite brasileira. Um grupo que não aceita de maneira alguma ter que dividir seu espaço no poder e na riqueza com outros segmentos sociais, e por isso faz de tudo para barrar o avanço dos negros em busca de seu espaço.






Por: Jefferson De Oli Coimbra

domingo, 21 de novembro de 2010

Documentário do ''3°E'' - Vídeo

Galera, ta aqui o Documentário da nossa sala sobre Consciência Negra.
Enjoy ;'D

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Religião

A maioria dos africanos são adeptos do cristianismo e islamismo. Muitos também praticam as religiões tradicionais africanas. Estas religiões são freqüentemente adaptadas aos contextos culturais indígenas e sistemas de crença ou fazem sincretismo paralelamente cristianismo e islamismo.
Judaísmo.

O judaísmo começou no século I como uma seita do cristianismo, partilhando por isso textos sagrados com esta religião, em concreto o Tanakh, que os judeus denominam de Antigo Testamento. À semelhança do cristianismo e do islão, o judaísmo é considerado como uma religião abraâmica.

Já existia na África por mais de dois milênios, especialmente no Magrebe. As Igrejas ortodoxas não-calcedonianas, hoje proeminente no Egito, Etiópia e Eritreia, foi, segundo as Escrituras cristãs, estabelecida pelo Apóstolo São Marcos aproximadamente no 42 d.C. Durante o período colonial, o catolicismo, o evangelismo e o pentecostalismo também chegaram à África negra. Nos tempos modernos, foi firmemente estabelecido o judaísmo na África, especialmente na África Central, sul e leste e em torno do golfo da Guiné-Bissau.

Hinduismo - A história do hinduísmo na África é relativamente recente, em comparação com a história do Islão, o Cristianismo ou Judaísmo. No entanto, a presença de seus praticantes na África remonta aos tempos pré-coloniais, até a época medieval .

Islã tem adeptos em toda a África. É a religião predominante na África do Norte, e também predominante na África Ocidental (sobretudo na Costa do Marfim, Gana norte, sudoeste e norte da Nigéria), no Nordeste de África e ao longo da costa da África Oriental.

Religiões Tradicionais


As religiões dos povos que se baseiam em mitos, lendas e tradições, eram classificadas como religiões primitivas. Esse termo passou a ser quase sinônimo de pagão, e seus praticantes eram tidos como pessoas sem cultura, atrasadas, sem técnica, sem Deus...

Atualmente, os estudiosos, revendo os erros do passado que justificaram escravidão e morte, usam o termo religiões tradicionais. Dessa maneira, mesmo sendo muito diferentes da religiosidade de outras culturas, fica mais fácil entender estas manifestações religiosas tão ricas e das quais muito podemos aprender.

O mundo destes povos muitas vezes não encontra explicações satisfatórias em nossa mentalidade, que exige provas, raciocínios, lógica. O mundo tradicional liga intimamente a vida em suas manifestações.

Nesse sentido, para entendermos melhor as religiões tradicionais, é importantíssimo ter uma atitude de abertura, sem preconceitos ou pré-julgamentos.

Tenhamos em conta também que essas religiões não possuem textos escritos ou livros sagrados, mas se baseiam na tradição, ou narração passada de geração para geração, sobre os conteúdos e a maneira de viver sua religiosidade. Isso se dá em forma de histórias, ritos, provérbios, danças, músicas, festas.


Umbanda

A Umbanda é estruturada, moralmente, em 3 princípios: fraternidade, caridade e respeito ao próximo.
Admite um deus gerador chamado (Zambi), que é o criador de tudo e todos. Seus adeptos (chamados também de "umbandistas" ou "filhos de fé") cultuam divindades denominadas Orixás e reverenciam espíritos chamados Guias.
Sua orientação espiritual ou doutrinária é feita pelos Guias - espíritos que atuam na Umbanda sob uma determinada linha de trabalho que, por sua vez, está ligada diretamente a um determidado Orixá. Os guias têm sapiência e consciência da natureza humana e os atributos para que essa humanidade possa evoluir e seguir por um caminho melhor.

Os guias se manifestam através da mediunidade dos médiuns, sendo a prática da incorporação a matriz do trabalho deles - ato pelo qual uma pessoa médium, inconsciente, consciente ou semi-consciente, permite que espíritos falem através de seu corpo físico e mental.
Em meio as festas nas senzalas os negros escravos comemoravam os Orixás por meio dos Santos Católicos. Nessas festas eles incorporavam seus Orixás, mas também começaram a incorporar os espíritos ditos ancestrais, como os Pretos-Velhos ou Pais Velhos (espíritos de ancestrais, (que não era de antigos Babalaôs, Babalorixás, pois esses são cultuados no Culto aos Egungun em Itaparica, Bahia, e nem Iyalorixás pois essas são cultuadas no Culto das Iyás) eram antigos "Pais e Mães de Senzala": escravos mais velhos que sobreviveram à senzala e que, em vida, eram conselheiros e sabiam as antigas artes da religião da distante África), que iniciaram a ajuda espiritual e o alívio do sofrimento material daqueles que estavam no cativeiro.
Embora houvesse uma certa resistência por parte de alguns, pois consideravam os espíritos incorporados dos Pretos-Velhos como Eguns (espírito de pessoas que já morreram e não são cultuados no candomblé), também houve admiração e devoção.
Com os escravos foragidos, forros e libertados pelas leis do Ventre Livre, Sexagenário e posteriormente a

Lei Áurea, começou-se a montagem das tendas, posteriormente terreiros.
A mais antiga referência literária e denotativa ao termo Umbanda é de Heli Chaterlain, em Contos Populares de Angola, de 1889. Lá aparece a referência à palavra Umbanda, como: curador, magia que cura, sinônimo de Kimbanda.
Mantém-se na Umbanda o sincretismo religioso com o catolicismo e os seus santos, assim como no antigo Candomblé dos escravos, por uma questão de tradição, pois antigamente fazia-se necessário como uma forma de tornar aceito o culto afro-brasileiro sem que fosse visto como algo estranho e desconhecido, e, portanto, perseguido e combatido.
Há discordância sobre as cores votivas de cada orixá conforme o local do Brasil e a tradição seguida por seus seguidores. Da mesma forma quanto ao Santo sincretizado a cada orixá.

Alguns exemplos:

Exu - Santo Antonio no Rio de Janeiro, chamado de Bará no Rio Grande do Sul;
Oxumare na umbanda - São Bartolomeu no Brasil
Ogum - São Jorge OU Santo Antonio na Bahia;
Oxossi - São Sebastião; no Brasil, São Jorge na Bahia;
Xangô - São Jerônimo,São João Batista, São Miguel Arcanjo
Iemanjá - Nossa Senhora dos Navegantes;
Oxum - Nossa Senhora da Conceição;
Iansã - Santa Bárbara;
Omulu - São Roque;
Obá - Santa Rita de Cássia, Santa Joana d'Arc
Obaluaê - São Lázaro;
Nanã - Sant'Anna;
Oxalá - Divino Jesus Cristo, o Ser Cristalino.

Candomblé

Candomblé é um designativo para diversos cultos, intitulados Nações em que há o cultivo dos orixás. Sendo de origem totêmica e familiar, é uma das religiões afro-brasileiras praticadas principalmente no Brasil, pelo chamado povo do santo, mas também em outros países como Uruguai, Argentina, Venezuela, Colômbia, Panamá, México, Alemanha, Itália, Portugal e Espanha.
A religião que tem por base a anima (alma) da Natureza, sendo portanto chamada de anímica, foi desenvolvida no Brasil com o conhecimento dos sacerdotes africanos que foram escravizados e trazidos da África para o Brasil, juntamente com seus Orixás/Inquices/Voduns, sua cultura, e seu idioma, entre 1549 e 1888.

Candomblé é uma religião "monoteísta, embora alguns defendam a ideia que são cultuados vários deuses, o deus único para a Nação Ketu é Olorum, para a Nação Bantu é Nzambi e para a Nação Jeje é Mawu, são nações independentes na prática diária e em virtude do sincretismo existente no Brasil a maioria dos participantes consideram como sendo o mesmo Deus da Igreja Católica.

Os Orixás/Inquices/Voduns recebem homenagens regulares, com oferendas de animais, vegetais e minerais, cânticos, danças e roupas especiais. Mesmo quando há na mitologia referência a uma divindade criadora, essa divindade tem muita importância no dia-a-dia dos membros do terreiro, como é o caso do Deus Cristão que na maioria das vezes são confundidos.
os Orixás da Mitologia Yoruba foram criados por um deus supremo, Olorun (Olorum) dos Yoruba;
os Voduns da Mitologia Fon foram criados por Mawu, o deus supremo dos Fon;
os Nkisis da Mitologia Bantu, foram criados por Zambi, Zambiapongo, deus supremo e criador.

O Candomblé cultua, entre todas as nações, umas cinquenta das centenas deidades ainda cultuadas na África. Mas, na maioria dos terreiros das grandes cidades, são doze as mais cultuadas. O que acontece é que algumas divindades têm "qualidades", que podem ser cultuadas como um diferente Orixá/Inquice/Vodun em um ou outro terreiro. Então, a lista de divindades das diferentes nações é grande, e muitos Orixás do Ketu podem ser "identificados" com os Voduns do Jejé e Inquices dos Bantu em suas características, mas na realidade não são os mesmos; seus cultos, rituais e toques são totalmente diferentes.

Orixás têm individuais personalidades, habilidades e preferências rituais, e são conectados ao fenômeno natural específico (um conceito não muito diferente do Kami do japonês Xintoísmo). Toda pessoa é escolhida no nascimento por um ou vários "patronos" Orixás, que um babalorixá identificará. Alguns Orixás são "incorporados" por pessoas iniciadas durante o ritual do candomblé, outros Orixás não, apenas são cultuados em árvores pela coletividade. Alguns Orixás chamados Funfun (branco), que fizeram parte da criação do mundo, também não são incorporados.

A religiosidade africana reconhece a existência do Deus da Criação, mas não define o deus.

O nome de Maasai (Kenya e Tanzânia) para o deus, Engai, despercebido, desconhecido". Do mesmo modo, entre os Tenda (guinea),  esse deus é chamado Hounounga que significa: "o desconhecido". Os povos afirmam que Deus é invisível, que é uma outra maneira de afirmar que não conhece o deus em nenhuma forma física. Subseqüentemente, em nenhuma parte da África nós encontramos as imagens ou as representações físicas desse deus, criador do universo..

No geral, os povos africanos consideram que o universo, está divido em duas porções: o visível e o invisível. Os seres humanos vivem no nível visível, o deus e os seres espirituais vivem no nível invisível. Há uma ligação entre os dois mundos. O deus e os seres espirituais que fazem sua presença no nível físico; e as pessoas se projetam para o nível espiritual através de deus e os divinizados. O religiosidade africana é muito sensível na questão sobre a dimensão espiritual.

Os seres espirituais explicam o "espaço antológico" entre seres humanos e Deus. Estes podem ser reconhecidos de formas diferentes, de que principais são: os divinizados e espíritos. Os divinizados foram criados por Deus, e alguns são também personificados de fenômenos e de objetos naturais principais tais como montanhas, lagos, rios, terremotos, trovão, etc.. Os espíritos podem ser considerados em duas categorias: divinos celestiais (céu) e do mundo. Os espíritos "divinos" são aqueles associados com os fenômenos e os objetos "divinos" tais como o sol, as estrelas, cometas, chuva e tempestades. E os "da terra" são em parte aqueles associados com os fenômenos e os objetos da terra, e em parte aqueles que são das pessoas após a morte (Egungun).

Um aspecto da realidade espiritual é a presença do poder místico que permeia o universo. E Deus é o criador deste poder. A um grau limitado, as pessoas têm acesso a ele, ou, influem em suas vidas.

Um aspecto muito forte da religiosidade africana é seu monoteísmo. De leste a oeste, do norte ao sul da África, são unânimes em proclamar que há somente:

“Um Deus, que é criador de tudo”.

Em última análise, somos todos africanos. Estudos de DNA mitocondrial têm provado que todos os seres humanos descendem de uma população pequena (menos de uma centena) que emergiu da África cerca de 60.000 anos atrás. Os primeiros textos escritos religiosos bem como o primeiro exemplo documentado religião monoteísta também desenvolveu na África. Durante a Idade Média europeia, muitos manuscritos antigos foram preservados em bibliotecas Africano em lugares como a Etiópia e Timbuctu.

Culinária Africana





Baiana fritando acarajés

Não há nada mais gostoso que a comida do Brasil! Pode parecer exagero, mas a alimentação brasileira tem uma riqueza incrível, pois sua origem é uma mistura das tradições indígenas, européias e africanas.

Os índios se alimentavam da mandioca, das frutas, dos peixes e das carnes de caça. Com a chegada dos colonizadores portugueses, o pão, o queijo, o arroz, os doces e os vinhos foram se incorporando à nossa alimentação.

Mas uma das contribuições mais importantes aos nossos hábitos alimentares, durante todo o período de 
colonização, foi aquela que veio da África, trazida pelos escravos. Se os comerciantes de escravos traziam os ingredientes (especiarias), os escravos traziam na memória os usos e os gostos de sua terra. Era aí que estava o segredo.

Os escravos não tinham uma alimentação farta. Comiam os restos que os seus senhores lhes destinavam. Os ingredientes nobres, o preparo requintado e as maneiras européias à mesa aconteciam na casa grande. Enquanto isso, a cozinha negra se desenvolvia na senzala, em tachos de ferro.
Azeite de dendê
Alguns escravos conseguiam criar algum animal ou cultivar uma pequena horta. Talvez por isso, o tempero e o uso de uma grande variedade de pimentas deu um sabor especial aos seus pratos. O azeite de dendê também foi um dos ingredientes mais importantes da culinária negra. O dendezeiro é uma palmeira de origem africana, e de sua polpa se extrai o azeite que dá a cor, o sabor e o aroma de tantas receitas deliciosas como o caruru, o vatapá e o acarajé.

O uso de pimentas, que já era antigo nas terras da América, se espalhou pelo Brasil no século 18. Uma outra tradição, a de vender comida nas ruas, em grandes tabuleiros, se estabeleceu na mesma época na cidade de Salvador, na Bahia. Esses tabuleiros traziam de tudo. Um cronista daquele tempo relatou ter visto, num mesmo tabuleiro, mais de vinte qualidades diferentes de comidas salgadas e doces. Entre essas iguarias estava, além do acarajé, do vatapá e do abará, angu, mingau, pamonha e canjica.

O acarajé se tornou tão importante que foi transformado em patrimônio nacional. É uma referência tão importante para nossa cultura, que é reconhecido e protegido pelo patrimônio histórico. Ele é especialmente típico da cidade de Salvador, na Bahia, que é considerada a capital da cozinha afro-brasileira.
O fator religioso
Um outro fator que ajudou a difundir a comida de origem negra foi a religião africana - o candomblé. O candomblé tem uma relação muito especial com a comida. Os devotos servem para os santos comida que pertencem à tradição africana. Como as comunidades negras se espalharam pelo Brasil, a culinária que veio da África se espalhou por todo o país.

Hoje em dia, os pratos e os temperos da cozinha negra fazem parte da nossa alimentação. São saboreados no dia-a-dia e também nas festas populares. Os caldos, extraídos dos alimentos assados, misturados com farinha de mandioca (o pirão) ou com farinha de milho (o angu), são uma herança dos africanos. Podemos lembrar que da África também vieram ingredientes tão importantes como o coco e o café.

Feijoada
Para terminar, não se pode deixar de mencionar um dos pratos favoritos do país: a feijoada, que também se originou nas senzalas. Enquanto as melhores carnes iam para a mesa dos senhores, os escravos ficavam com as sobras: pés e orelhas de porco, lingüiça, carne-seca etc., eram misturados com feijão preto ou mulatinho e cozidos num grande caldeirão.

Segundo registra o folclorista 
Câmara Cascudo, as receitas são incontáveis e, com elas, variam tanto as carnes quanto as verduras usadas. A feijoada chegou a servir de inspiração para escritores como Pedro Nava, em um de seus livros de memórias, e para o compositor Chico Buarque de Holanda, que tem uma música onde dá a receita de uma "Feijoada Completa".
















Elementos tradicionais da comida africana

Há diferenças significativas nas técnicas culinárias e nos hábitos de comer e beber do continente entre as regiões norte, leste, oeste, sul e central. Porém, em quase todas as culturas africanas, a culinária usa uma combinação de frutas disponíveis localmente, grãos, vegetais, leite e carne. Em algumas partes da África, a comida tradicional tem predominância de leite, coalhada e soro de leite. Entretanto, em boa parte da África tropical, o leite de vaca é raro
Vegetais na culinária africana

Vegetais ocupam um papel importante na culinária africana, sendo a principal fonte de vitaminas e fazendo parte de vários pratos constituídos de milho, mandioca, inhame e feijão. Esses vegetais também fornecem fonte secundária de proteínas. Em geral, folhas verdes e hastes jovens são coletadas, lavadas, cortadas e preparadas no vapor ou  fervidas em combinação com especiarias e outros vegetais como cebola e tomate.
A maioria dos vegetais mais importantes na comida africana tem origem fora da África. Milho, feijão, mandioca e abóbora são originários das Américas e foram introduzidos na África pelos europeus no século 16. A maior parte do vegetais verdes africanos são resistentes à seca. A comida africana tradicional provê uma dieta variada geralmente rica em vitaminas e sais minerais, incluindo vitamina A, ferro e cálcio.


A comida africana reflete as tradições nativas da África, assim como influências árabes, européias e asiáticas. O continente africano é a segunda maior massa de terra do planeta e berço de milhares de tribos, etnias e grupos sociais. Essa diversidade reflete-se na cozinha africana, no uso de ingredientes básicos assim como na preparação e técnicas culinárias.

                                                           

Há diferenças significativas nas técnicas culinárias e nos hábitos de comer e beber do continente entre as regiões norte, leste, oeste, sul e central. Porém, em quase todas as culturas africanas, a culinária usa uma combinação de frutas disponíveis localmente, grãos, vegetais, leite e carne. Em algumas partes da África, a comida tradicional tem predominância de leite, coalhada e soro de leite. Entretanto, em boa parte da África tropical, o leite de vaca é raro. 

Vegetais na culinária africana

Vegetais ocupam um papel importante na culinária africana, sendo a principal fonte de vitaminas e fazendo parte de vários pratos constituídos de milho, mandioca, inhame e feijão. Esses vegetais também fornecem fonte secundária de proteínas. Em geral, folhas verdes e hastes jovens são coletadas, lavadas, cortadas e preparadas no vapor ou  fervidas em combinação com especiarias e outros vegetais como cebola e tomate. 


   



(Moqueca capixaba)







  
A maioria dos vegetais mais importantes na comida africana tem origem fora da África. Milho, feijão, mandioca e abóbora são originários das Américas e foram introduzidos na África pelos europeus no século 16. A maior parte do vegetais verdes africanos são resistentes à seca. A comida africana tradicional provê uma dieta variada geralmente rica em vitaminas e sais minerais, incluindo vitamina A, ferro e cálcio.

Por volta do século 16 a alimentação cotidiana na África, que foi incorporada à comida brasileira pelos escravos, incluía arroz, feijão, sorgo, milho e cuscuz. A carne era predominantes de caça (antílopes, gazelas, búfalos e aves). Os alimentos eram preparados assados, tostados ou cozidos. Como tempero utilizava-se pimentas e óleos vegetais como o  azeite-de-dendê. 
A alimentação dos escravos nas propriedades ricas incluía canjica, feijão-preto, toucinho, carne-seca, laranjas, bananas, farinha de mandioca e o que conseguisse pescar e caçar; e nas pobres era de farinha, laranja e banana. Os temperos utilizados na comida eram o açafrão, o óleo de dendê e o leite de coco. O cuscuz já era conhecido na África antes da chegada dos portugueses ao Brasil, e tem origem no norte da África, entre os berberes. No Brasil, o cuscuz é consumido doce, feito com leite e leite de coco, a não ser o cuscuz paulista, consumido com ovos cozidos, cebola, alho, cheiro-verde e outros legumes. O leite de coco é usado para regar peixes, mariscos, arroz-de-coco, cuscuz, mungunzá e outras iguarias.

   



(Bobó de camarão)


quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Vídeo - Dia da Consciência Negra

Filme criado pela NovaS/B para Caixa Econômica Federal, pelo Dia da Consciência Negra, comemorado nesta sexta-feira (20).

O comercial, que chega à telinha nesta quinta-feira (19), tem direção de Heitor Dhalia e é baseado na obra "Encontrei minhas Origens", do poeta e pesquisador gaúcho Oliveira Silveira (1941-2009), idealizador do Dia da Consciência Negra.

O diretor de criação da NovaS/B, Antonio Batista, conta que a ideia do filme é "mostrar o negro como agente de sua libertação" e não como beneficiário da Lei Áurea. "A liberdade do negro não foi doada, mas sim conquistada. O filme é afirmativo e mostra o orgulho do negro por suas origens", defende.

 Veja no Vídeo abaixo:

 

 

O que é Racismo?

 De uma forma bem simples, o Racismo é a tendência do pensamento, ou do modo de pensar em que se dá grande importância à noção da existência de raças humanas distintas e superiores umas às outras. Onde existe a convicção de que alguns indivíduos e sua relação entre características físicas hereditárias, e determinados traços de caráter e inteligência ou manifestações culturais, são superiores a outros. O racismo não é uma teoria científica, mas um conjunto de opiniões pré concebidas onde a principal função é valorizar as diferenças biológicas entre os seres humanos, em que alguns acreditam ser superiores aos outros de acordo com sua matriz racial. A crença da existência de raças superiores e inferiores foi utilizada muitas vezes para justificar a escravidão, o domínio de determinados povos por outros, e os genocídios que ocorreram durante toda a história da humanidade e ao complexo de inferiridade, se sentindo, muitos povos, como sendo inferiores aos europeus.

Fonte: Wikipédia (Adaptada)

Um pouco da História do Negros no Brasil




Raiz Afro-Brasileira

O temo Afro-Brasileiro designa tanto pessoas quanto objetos e cultura oriundos da vinda de negros escravos africanos para o Brasil.

O Brasil tem a maior população de origem africana fora da África. Segundo o IBGE, os auto-declarados pretos representam 6,3% e os pardos 43,2% da população brasileira, ou seja, oitenta milhões de brasileiros. Tais números são ainda maiores quando se toma por base estudos genéticos: 86% dos brasileiros têm algum grau de ascendência africana. Os genes africanos no povo brasileiro variam de 10 a 100% da ancestralidade. Portanto, devido ao alto grau de miscigenação, brasileiros com ascendência africana podem ou não apresentar traços de fisionomia negra. A maior concentração de afro-brasileiros dá-se no Estado da Bahia, onde 80% da população é de ascendência africana.



HISTÓRIA

O Brasil recebeu 37% de todos os escravos africanos que foram trazidos para as Américas, totalizando mais de três milhões de pessoas. O tráfico de negros da África começou por volta de 1550. Durante o período colonial, a escravidão era a base da economia do Brasil, principalmente na exploração de minas de ouro e cana-de-açúcar. 
 

A escravidão foi abolida gradualmente no decorrer do Século XIX, sobretudo por interesses da Inglaterra. Embra desde 1850 o tráfico de escravos fosse proibido no Brasil, através da Lei Eusébio de Queirós, só em 1888 a escravidão foi definitivamente abolida, através da Lei Áurea, assinada pela Princesa Isabel.





ORIGENS

Os africanos mandados para o Brasil pertenciam principalmente a dois grandes grupos: os oeste-africanos (antigamente chamados de Sudaneses) e os Bantu. Os Bantus, nativos de Angola, Congo e Moçambique foram mandados em larga escala para o Rio de Janeiro, Minas Gerais e para a zona da mata do Nordeste. Os sudaneses, nativos da Costa do Marfim e de influência mulçumana foram mandados em grande número para a Bahia. Outros grupos étnicos menores vindos da África são o Yoruba, Fon, Ashanti, Ewe e outros grupos nativos de Gana, Benim e Nigéria.

Há hoje no Brasil um número expressivo de africanos, na maioria proveniente dos países lusófonos, fazendo cursos de graduação, pós-graduação, mestrado e doutorado nas universidades brasileiras, muito usufruindo de bolsas concedidas pelos próprios órgãos financiadores do nosso governo (CAPES, CNPq e outros).



RELIGIÃO

Embora a maioria dos escravos trazidos da África tenha sido convertida ao Catolicismo, algumas religiões de origem africana conseguiram sobreviver, seja através de prática secreta como é o caso do Candomblé, Xangô do Nordeste e outros, ou através do sincretismo religioso como Batuque, Xambá e Umbanda (por exemplo). A prática do sincretismo foi conveniente, particularmente pelo fato de que os escravos ganharam o direito a reunirem-se em irmandades.

Além da participação nas irmandades, o sincretismo manifestou-se igualmente pela tradição de batizar os filhos e casar-se na Igreja Católica.

Segundo o IBGE, 0,3% dos brasileiros declaram seguir religiões de origem africana, embora um número maior de pessoas sigam essas religiões de forma reservada.



COZINHA

A cozinha brasileira deriva em grande parte da cozinha africana, mesclada com elementos da cozinha indígena e portuguesa. Na Bahia, principalmente, pratos como vatapá e moqueca são típicos da culinária afro-brasileira.

A feijoada é o prato nacional do Brasil. É basicamente a mistura de feijões pretos, carne de porco e farofa. Começou como um prato português que os escravos negros modificaram: os donos de escravos davam as partes pobres do porco aos escravos e estes misturavam estas partes com feijão e farinha.






MÚSICA

A música criada pelos afro-brasileiros é uma mistura da música portuguesa, indígena e africana, produzindo uma grande variedade de estilos.

A música brasileira foi fortemente influenciada pelos ritmos africanos, como é o caso do samba, maracatu, ijexá, coco, jongo, carimbó, lambada e o maxixe.

Embora se tenha mantido por muitos anos na marginalidade, a música afro-brasileira ganou notoriedade em meados do Século XX, até se tornar o estilo musical mais difundido no Brasil.